Quando Moçambique começou a registar os primeiros casos da pandemia da COVID-19, o sistema de saúde suspendeu algumas consultas externas e acções de alguns programas que visam reduzir a incidência de doenças específicas. Em várias regiões de África também pode se observar o mesmo cenário, inclusive algumas campanhas de vacinação foram colocadas em segundo plano.

Uma reportagem que passou na televisão Miramar, relatava que mais da metade das mulheres grávidas que se faziam a uma unidade específica na cidade de Maputo faltavam as consultas pré-natais. Os cuidados que mulher têm durante as consultas pré-natal ditam em grande medida um parto seguro, um bebé saudável, previnem a morte materna, e outros quadros clínicos que a podem colocar em risco mãe e filho.

Os serviços de estomatologia é um outro exemplo que podemos explorar, em unidades públicas estão a funcionar com algumas restrições, o atendimento está restringido aos casos graves, as doenças dentárias muitas delas se evitam a forma mais grave acedendo os serviços de forma precoce. As limpezas dentárias de rotina foram canceladas em várias unidades pelo menos em Maputo e este serviço previne o avanço da cárie, por exemplo. Em 2019, a directora de Saúde da cidade de Maputo, Sheila Lobo, partilhou dados que indicam que cerca de 80 mil pessoais a nível local sofrem de carie dentária.

Esta situação retrocede os grandes ganhos do país no combate à doenças como malária e tuberculose.

Segundo noticiou o Xipalapala Info, o sector de saúde da Província de Nampula registou de janeiro a junho, do corrente ano 925 casos de malaria, contra 140.308 no igual período de 2019. A redução de casos de malária ocorreu em grande medida durante o período do Estado de Emergência para contenção da pandemia do novo coronavírus. Segundo o director provincial da Saúde em Nampula, Fernando Mitano, a redução do numero deve-se a fraca a fluência da população nos hospitais para a notificação de casos, alegadamente por medo da contaminação pela COVID-19. Para Mitano, o fenómeno pode afectar o alcance dos objectivos do programa nacional de prevenção contra a malária para este ano.

A malária constitui um dos maiores problemas de saúde pública em Moçambique, afectando maioritariamente mulheres grávidas e crianças menores de 5 anos. A doença continua sendo a principal causa de morte infantil em Moçambique.

Para os caso da tuberculose o mesmo jornal informou que as autoridades de saúde moçambicanas esperam diagnosticar 103 mil casos de tuberculose este ano, contra 97mil em 2019. Segundo Ivan Manhiça, director do Programa Nacional do Controle da Tuberculose (PNCT), o novo corona vírus coloca em risco a meta estabelecida, o que pode comprometer o combate à doença. No segundo trimestre deste ano, altura em que foi decretado o Estado de Emergência, foram diagnosticados 24mil casos de tuberculose, contra os 27 mil em igual período de 2019. “As pessoas não estão a ir ao hospital com a frequência que deveriam. Para fazer face à doença, o Governo moçambicano prioriza acções de sensibilização e capacitação de recursos humanos em zonas em que a doença é mais frequente. Devido a pandemia as campanhas foram interrompidas e o número de pacientes que se desloca às unidades sanitárias reduziu”. Ainda segundo o director do PNCT, normalmente o paciente diagnosticado com tuberculose toma os medicamentos de forma assistida.

A nível de África debate-se no momento, a questão da falta de vacinação, os dados do primeiro trimestre de 2020 indicam que mais 1,5 milhões de crianças africanas falharam a primeira dose de vacina contra a doença, de acordo com o Xipalapala Info.

“Se os serviços de vacinação não retomarem nos próximos meses, muitos bebés e crianças não serão vacinados em toda a região, representado um risco de surtos de sarampo. Estima-se que 52600 pessoas morreram de sarampo em 2018 em África, na sua maioria crianças com idade inferior a cinco anos, o número poderá e aumentar por causa interrupção da vacinação em alguns países devido à pandemia. Pelo menos nove campanhas de vacinação contra o sarampo em África estão em risco de ser canceladas, o que acontecer poderá resultar em novos surtos em 2020 e nos anos seguinte”, lê-se no artigo.

Segundo Arild Drivdal, especialista em Saúde Pública, vacinar as crianças previne que estas ao contrair a covid-19 morram, o risco de desenvolver a forma mais grave é reduzida, pois estarão com o sistema imunológico forte.

Depois de uma profunda reflexão, fiz-me a seguinte pergunta: até que ponto este regime de trabalho a nível dos sistemas de saúde são funcionais ? Não seria o momento de se pensar numa restruturação. Está claro que o modelo actual está prejudicar a saúde de milhares de pessoas que se veêm privadas dos serviços de saúde, o que a médio a longo prazo poderá ceifar a vida de muita gente, não pela covid-19, mas por outras doenças que são tratáveis e preveníeis.

3 COMMENTS

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